Rodas de bicicleta são incríveis. A magia da física faz delas alguns dos objetos mais fortes feitos pelo homem quando se considera sua função e seu peso. E no mundo da bicicleta, alta resistência + baixo peso = perfeição. A maior parte da sustentação de uma roda vem dos raios tensionados que conectam o aro ao cubo, ou seja, os raios que naquele instante estão do centro da roda pra cima, sob tração, já que os raios que estão do centro pra baixo, sob compressão naquele instante ajudam muito pouco. Há muitas maneiras de organizar esses raios quando se constrói uma roda para obter diferentes benefícios. Na postagem de hoje, veremos os padrões de raiação mais comuns por aí, qual o melhor padrão para o seu uso e por que montamos nossas rodas da maneira como fazemos.

No mundo das bicicletas, a montagem de rodas é cheia de termos especiais, nomenclaturas e grande quantidade de informações. Mas quando se fala de padrões de raiação, as coisas são um pouco mais diretas. Os padrões de raiação geralmente são nomeados com base em quantas vezes um raio “cruza” outros raios do mesmo flange do mesmo lado em seu caminho do cubo ao aro.

São 3 os padrões mais comuns:

3-Cross

Assim, um padrão de 3-Cross (ou 3X) significa que cada raio cruza três outros entre o cubo e o aro.

Basicamente, como o ângulo de um raio em relação ao cubo se torna mais tangencial (menos direto, ou menos radial do centro para o aro), ele acaba cruzando mais os outros raios, então o “número de cruzamentos” geralmente é um bom indicador da força da roda.  Isso é verdade porque, quanto mais tangencial o ângulo dos raios, melhor eles podem enfrentar as forças de torção exercidas na roda durante a aceleração, a frenagem ou mesmo quando sofrem impactos.
Um padrão cruzado maior como esse significa que você precisará de raios levemente mais longos (porque a distância do cubo até o orifício do aro será maior), de modo que a roda pesará um pouco mais do que uma roda com padrão 2-Cross (ou 2x) ou mesmo o radial. Mas esse é uma desvantagem pequena para um aumento da resistência. Essa é a nossa escolha para o modelo Steampunk.

 

2-Cross

Como você já deve estar imaginando, um padrão 2-Cross significa que cada raio cruza outros dois raios entre o cubo e o aro. Em rodas e cubos de 32 furos, o 2-cross será menos resistente mas pesará um pouco menos do que as rodas montadas com o padrão 3-cross.


No entanto, em uma roda de 24 furos, um padrão 2-cross, torna os ângulos dos raios quase idênticos a uma configuração de 3-cross de 32 furos (cada raio vai cruzar 2x porque há menos raios), então há pouca diferença em termos de força, e você obtém alguma economia de peso deixando 8 raios na bancada! A única desvantagem é que cada raio está sob maior tensão (com apenas 24 para dividir a carga, em vez de 32) e para garantir a confiabilidade em usos de maior solicitação (mais esforço para a roda) é necessário checar e ajustar o equilíbrio do tensionamento entre os raios. Assim, para ciclistas esportivos que podem ajustar a tensão entre os eventos, uma roda de 24 furos pode ser uma boa. Para os ciclistas que realmente usam a bicicleta para locomoção diária, a conveniência do 3-cross de 32 furos é a melhor escolha. Mas se você busca um meio termo entre peso e resistência e conveniência, uma roda de 32 furos e ração no padrão 2-Cross, proporciona relativa resistência economizando alguns gramas. Essa é a nossa escolha para o modelo Basement.

 

Radial

Ciclistas que estão realmente procurando reduzir peso e maximizar o desempenho, geralmente optam por uma uma roda dianteira com o padrão radial. Um padrão radial (ou 0-cross) significa que os raios vão diretamente do cubo para o aro, sem cruzar com nenhum raio no caminho.

Esse ângulo não deixa a roda resistente às forças de torção, então você nunca verá uma roda traseira com raios montados radialmente, ja que é por ali que todo o torque aplicado pelo ciclista se transmite para a pista. Por outro lado, o padrão radial usa os raios mais curtos possíveis. Então a economia de peso é mais significativa e o arranjo dos raios é também mais aerodinâmico do que os raios girando um sobre o outro. É por isso que vemos nas bikes de competição com rodas dianteiras montadas com o padrão radial. Você pode notar isso em nosso protótipo de competição, a Underdog.

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